o prazer da leitura

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crisis, what crisis?

Advertising Agency: Serviceplan, Germany
Creative Directors: Alex Schill, Christoph Everke, Tim Strathus, Matthias Mittermueller
Copywriter: Tim Strathus
Art Director: Matthias Mittermüller
Illustrator: Ralph Steadman
Account Supervisors: Christiane Broch, Bianca Bensemann

Iliteracia

xxcd

“O que quer dizer adjudicação?”
Uma frase surpreendente no momento em que se revela a origem: pergunta colocada por um professor amigo meu a cerca de 40 alunos do primeiro ano de um curso universitário, que teve como média de entrada no último ano 16 valores, e em que só um balbuciou um projecto de resposta.
Como pode isto ser possível?
Como se explica que alunos com média de 16 no 12º ano não façam a mínima ideia do que significa a palavra adjudicação?
Que jornais lêem, que rádio ouvem, que televisão vêem, que internet frequentam?
Pode classificar-se esta resposta como pura ignorância?
É possível, mas creio que, se o motivo da resposta fosse ignorância, o problema seria mais fácil de emendar. Nada que uma boa sabatina não resolvesse. Desconfio que o problema é de outra natureza. Segundo o meu amigo, os alunos são inteligentes, interessados nas aulas e de alguma forma activos. Daí, excluir a resposta rápida em que os classificaria de puros ignorantes. Penso antes que estão abandonados. Encafuados no seu individualismo em que só frequentam os temas que lhes são próximos. Se lhes perguntasse o que é o “Hi 5” ou o “Twitter” todos responderiam de imediato. Este distanciamento é ainda mais perigoso se o projectarmos no futuro. São jovens com uma visão selectiva do mundo. Não sabem o que quer dizer adjudicação porque, simplesmente, se “estão nas tintas” para o novo aeroporto de Lisboa, para o TGV, para os temas da “coisa pública”, para os temas da república.
Será que um dia vão ter dúvidas sobre que significa a palavra democracia?
Pedro Leal, Página 1

Sem educação

AVieira

Desculpem se trago hoje à baila a história da professora agredida pela aluna, numa escola do Porto, um caso de que já toda a gente falou, mas estive longe da civilização por uns dias e, diante de tudo o que agora vi e ouvi (sim, também vi o vídeo), palavra que a única coisa que acho verdadeiramente espantosa é o espanto das pessoas.
Só quem não tem entrado numa escola nestes últimos anos, só quem não contacta com gente desta idade, só quem não anda nas ruas nem nos transportes públicos, só quem nunca viu os “Morangos com açúcar”, só quem tem andado completamente cego (e surdo) de todo é que pode ter ficado surpreendido.
Se isto fosse o caso isolado de uma aluna que tivesse ultrapassado todos os limites e agredido uma professora pelo mais fútil dos motivos – bem estaríamos nós! Haveria um culpado, haveria um castigo, e o caso arrumava-se.
Mas casos destes existem pelas escolas do país inteiro. (Só mesmo a sr.ª ministra – que não entra numa escola sem avisar…- é que tem coragem de afirmar que não existe violência nas escolas…)
Este caso só é mais importante do que outros porque apareceu em vídeo, e foi levado à televisão, e agora sim, agora sabemos finalmente que a violência existe!
O pior é que isto não tem apenas a ver com uma aluna, ou com uma professora, ou com uma escola, ou com um estrato social.
Isto tem a ver com qualquer coisa de muito mais profundo e muito mais assustador.
Isto tem a ver com a espécie de geração que estamos a criar.
Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs.
E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano.
E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.
Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.
Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.
E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse.
A aluna que agrediu esta professora (e onde estavam as auxiliares-não-sei-de-quê, que dantes se chamavam contínuas, que não deram por aquela barulheira e nem sequer se lembraram de abrir a porta da sala para ver o que se passava?) é a mesma que empurra um velho no autocarro, ou o insulta com palavrões de carroceiro (que me perdoem os carroceiros), ou espeta um gelado na cara de uma (outra) professora, e muitas outras coisas igualmente verdadeiras que se passam todos os dias.
A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar.
A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento.
E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã.
E nós deixamos.

Alice Vieira

Saberes

garfield

JORNAL DE LEIRIA. Fez inquérito a estudantes de Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós. Acertar só no nome do Papa, na capital do Brasil, no autor da Mona Lisa, no planeta mais próximo do Sol ou no número de Estados da UE.
MESMO ASSIM houve quem falasse em 48 Estados na UE, Portas a liderar a Comissão, Rio de Janeiro capital do Brasil e Paulo Bento a Papa…
ABSURDOS. D. Afonso Henriques último Rei de Portugal. Humberto Coelho primeiro Presidente. Figo e Dalai Lama com Nobel. Padre António Vieira autor de O Crime do Padre Amaro. Tornar escorregadio igual a ludibriar.
ESPERANÇA. Que algumas respostas sejam pura brincadeira.

Marcelo Rebelo de Sousa, no Blogue

Pois é professor, mas tenho para mim que não houve ali brincadeira nenhuma.