25 do 4 com 35


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trinta e cinco anos depois da instauração da democracia, temos a sensação de que merecíamos um país melhor. a desculpa dos 48 anos de fascismo já não pega. a desculpa do perigo, muito real em 1974 e 1975, de instauração de uma ditadura de sinal oposto, também já prescreveu.

que fizemos nós, afinal, para merecer um país livre, democrático e rico?

trabalhámos mais e melhor do que debaixo do chicote da opressão?

usámos o nosso poder de intervenção cívica a favor dos mais necessitados?

criámos uma sociedade de mérito, acabando com o sistema feudal das cunhas, dos grupos de influência e dos direitos adquiridos?

fizemos da educação uma prioridade nacional, lutando pelo direito dos mais pobres a aprenderem tanto e tão bem como os mais ricos?

a resposta a todas estas perguntas é um não rotundo.

nestes trinta e cinco anos de liberdade fizemos o que fazíamos no tempo da ditadura: empurrámos as culpas para o sistema, queixámos-nos dos mesmos chefes aos quais lambemos o traseiro e os pés, e empregámos o nosso brio em procurar as vírgulas da lei que nos proporcionassem os máximos benefícios com um mínimo de esforço. atirámos as as culpas para os poderosos, quase sem reparar que o poder, agora, somos nós que o escolhemos.

e recusando-nos a assumir a responsabilidade que nos cabe no exercício desse poder.

mantivemos a inveja como estímulo maior e a esperteza saloia como farol condutor. claro que há muitas excepções – grande parte delas acaba por triunfar noutros países, onde o empenhamento, a frontalidade e a inteligência são valores essenciais. as ditaduras e os ditadores não caem do céu – e a falta de qualidade das democracias também não. temos o país que escolhemos, sim. e é pena – porque este extraordinário país, com uma história impressionante, uma identidade afirmada há quase mil anos, uma infinita capacidade criadora, um clima ameno e uma beleza estarrecedora, merecia outra atitude, outro golpe de asa, outro esplendor.

inês pedrosa, única

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2 pensamentos sobre “25 do 4 com 35

  1. Olá,

    Olha eu com a distancia que tenho do país vejo as coisas doutra forma. Acho que o que mais preocupa o país é a ausencia de justiça, a proliferação do crime. quanto ao crime de grande envergadura, dito enriquecimento ilicito, acho que estamos ao mesmo nivel de uma Italia ou Grécia. Em todo o lado existe. E deve ser combatida é claro. Por outro lado, acho que o problema do emprego se resolveria com a criação de mais empresas, e não acho que não exista o problema da atitude empresarial onde a cunha já não é factor de emprego, existem mais os estagios e as formacoes, e o pequeno emprego. Acho que existe atitude empreendedora mas falta atitude positiva por parte do governo de aumentar definitivamente o salario minimo para niveis normais e diminuir os impostos das empresas. Só assim se retira da obscuridade a vida dos portugueses. Acho ainda que a atitude de culparmo.nos a nos mesmos é pouco saudavel. Acho que nos temos em baixa consideração. E somos capazes de melhor.

    beijinhos,
    Sandra

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