À descoberta

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A experiência que os cientistas querem levar a cabo este verão num acelerador de partículas tanto poderá ajudar a explicar o universo como destruir o planeta.
O Large Hadron Collider (LHC) custou mais de 5 mil milhões de euros e tem por objectivo fazer colidir partículas, possibilitando aos cientistas do Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), na Suíça, analisar ao pormenor os efeitos desse choque.
Muitos esperam ver confirmadas as teses do cientista britânico Stephen Hawking, o que lhe poderá muito bem valer um prémio Nobel.
Walter Wagner é um botânico com experiência no campo da física nuclear. Na sua opinião, o choque das partículas poderá criar micro-buracos negros.
Essa hipótese é vista com grande entusiasmo por parte dos cientistas do CERN e foi prevista pelo próprio Hawkings, que calculou que qualquer buraco negro que surgisse evaporaria quase de imediato, como explica ao Página 1 Vítor Cardoso, do Centro de Investigação em Astronomia, Astrofísica, Cosmologia e Física de Altas Energias, na Universidade Técnica de Lisboa: “Mal os buracos negros se formem começam a evaporar, emitindo vários tipos de partículas.
Buracos negros evaporam, tal como água quente numa panela evapora.”
Wagner não partilha a mesma opinião: “Não temos maneira de calcular a probabilidade de se criar um buraco negro, e não temos qualquer prova de que a Evaporação de Hawking existe”, refere ao Página 1. E porque é que isto é grave?… “A formar-se um buraco negro é mais provável que seja estável e não se evapore. Nesse caso, não existe qualquer forma conhecida de o eliminar. Seria uma questão de tempo até devorar todo o planeta”. E quanto tempo, já agora?… “As estimativas variam entre cinco anos e largos biliões.”
Vítor Cardoso, por seu lado, não tem uma visão tão catastrófica: “Todos os dias chegam à Terra raios cósmicos de muito alta energia, muito mais elevada do que o LHC consegue produzir, portanto, se o LHC vai produzir buracos negros, então estes já se deveriam formar em choques na atmosfera. Como isso se passa há milhares de anos, e ainda cá estamos, conclui-se que não há motivo para preocupação”.
Só que “há uma diferença entre a natureza e o LHC.
Na natureza, qualquer buraco a formar-se seria a velocidades relativistas. Logo, seria inofensiva para a terra, incapaz de interagir no quarto de segundo de transição” explica Walter. No LHC há a possibilidade de se estabilizarem.
Vítor Cardoso tranquiliza-nos mais uma vez: “nem todos os raios cósmicos têm uma energia assim tão grande. Portanto, nem todos teriam uma velocidade comparável com a da luz. Realmente, nestes milhões de anos que a Terra tem, a probabilidade de tal ter acontecido é grande, sem quaisquer danos. Parece-me excluído o cenário catastrófico previsto por Wagner.”
Contudo, o cientista português não culpa Wagner, como fizeram tantos dos seus pares, “este exercício é saudável para a ciência e deve, dentro de certos limites, ser levado a sério. Isto é, deve ser pensado e discutido, porque ciência é isso mesmo”.

[via página um]

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2 pensamentos sobre “À descoberta

  1. Ora viva Armando
    Já há uma data certa para esta experiência? Só para estar preparado e meter algumas coisas numa mochila. Nunca se sabe se entramos noutro buraco negro. Pelo menos nesse outro viajamos no espaço. Neste em que estamos qualquer dia não temos dinheiro para viajar.
    Um abraço e bom feriado

  2. A questão é que não nos podemos livrar de nenhum dos buracos negros em que nos meteram, nem daqueles em que se propõem meter-nos, por isso, o melhor mesmo é andar sempre com a mochila preparada.
    Um abraço e bom fim de semana.
    8)

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