Do nacional porreirismo

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Pela primeira vez, há uma autoridade, em Portugal, que consegue fazer cumprir a lei. Diziam os romanos, dura lex sed lex, ou seja, «a lei é dura mas é a lei». E quando as vozes mais insuspeitas, a começar por comentadores encartados e supostamente esclarecidos, defensores habituais da ética e dos bons costumes, começam a criticar a ASAE, descascam a sua alma portuguesa e revelam o cromossoma nacional da toleranciazinha para com a bandalheira. Se pensarmos bem, quando dizemos um palavrão e verificamos que fomos inconvenientes, acrescentamos, em jeito de desculpa: «Estou a falar Português!». Ou se, aflitos com um osso difícil de rapar, resolvemos comer com as mãos, desculpamo-nos: «Estou a comer à portuguesa». Ou seja, revelamos uma tendência irresistível para associar a maneira de ser português à badalhoquice. Mesmo que a badalhoquice se justifique plenamente, como no caso da coxa de frango.

A ASAE rompe, de um dia para o outro, com a cultura de irresponsabilidade, abandalhamento e interpretação livre da lei. Se achamos que não custa nada dar um jeitinho, a ASAE diz-nos que não faz jeitinhos. Se pensarmos que, naquele caso, podia fechar-se os olhos, a ASAE mantém-nos abertos. Se alegamos que não é tanto assim, a ASAE afirma que é assim mesmo.

Filipe Luis, Visão

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