Lá fora… Saudades


É por isso que, enquanto os outros cronistas acham que Portugal não os merece, eu acho que não mereço Portugal. O país é bom demais para mim. Há muito bom teatro em Nova Iorque, é verdade. Mas não há arroz de cabidela. As livrarias são óptimas. Mas as pessoas falam uma língua bárbara. O leitor viu o que se passou no último Vitória de Setúbal-Benfica? O Luisão e o Katsouranis desentenderam-se e começaram a gritar um com o outro. O mais interessante é que, vendo pela televisão, conseguia perceber-se que o Katsouranis estava a insultar o Luisão em português. Note o leitor: trata-se de um grego, e além disso estava a recomendar ao outro certas práticas que, segundo consta, eram muito populares e apreciadas no país dele, durante a Antiguidade. Tudo se conjugava para que Katsouranis fizesse a sugestão em grego, mas optou por fazê-la no nosso doce idioma. Até fiquei com lágrimas nos olhos. Mas eu sou assim: cinco minutos longe de Portugal e começo a ficar com saudades do Valentim Loureiro. Cinco minutos talvez seja exagero. Que sejam dez. De meia hora não passa.

Ricardo Araújo Pereira, in Visão (excerto)

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