Cortiça
2007 Dezembro 30
(CTT)
Evocação do Sector Cortiçeiro
Cortiça e sobreiro – símbolos nacionais
Cortiça. Dom da natureza. Património nacional. Embaixadora de Portugal.
A cortiça é a casca do sobreiro, um produto natural renovável, reciclável e bio degradável. A Quercus suber L., que a mãe natureza plantou essencialmente a sul de Portugal, dá corpo à identidade da paisagem alentejana. Lar de uma infindável variedade de espécies animais e vegetais, o montado de sobro, na sua multifuncionalidade, evita a desertificação do sul do país – região seca e de terrenos delgados – ao reduzir a erosão dos solos e ao contribuir de forma impar para a economia local. O montado e a cortiça que produz é, também, capaz de fixar o dióxido de carbono, o principal responsável pelo aquecimento global do planeta.
Preservado por reis e governantes, desde os primórdios da nação até aos dias de hoje, o sobreiro foi sempre protegido na legislação nacional. É nas cartas de D. Dinis, no século XIII, que surgem as primeiras referências ao sobreiro e à cortiça. Sendo a partir do século XIX que se inicia a exploração no montado como a conhecemos actualmente.
De aspecto rude, mas muito agradável ao tacto, a cortiça possui características únicas: leve, impermeável a líquidos e a gases, compressível, elástica, um excelente isolante térmico, acústico e vibrático, e resistente ao atrito. Capaz de servir para os mais variados fins, desde a construção à industria automóvel e aeronáutica, é na rolha de cortiça que encontra o seu produto mais conhecido.
Sem referirmos as ânforas de romanos e fenícios, que porventura teriam utilizado a cortiça como vedante, foi em França, com D. Pérignon, que começou por ser usada, de forma sistemática, para guardar o tão apreciado néctar. Mas foi em Portugal que encontrou a perícia e a sabedoria para a sua extracção e transformação. Por razões históricas ligadas à proximidade da produção do vinho do Porto, a indústria fixou-se, essencialmente, no Norte, mais especificamente no Distrito de Aveiro, região que, até aos nossos dias, é o centro mundial da transformação e comércio da cortiça.
Embaixadora de Portugal, a cortiça leva o nome do país aos cinco continentes e até ao espaço. Portugal é hoje o líder mundial na produção, transformação e exportação da cortiça. Liderança que colocou Portugal na vanguarda do conhecimento e investigação em cortiça e, ao mesmo tempo, lhe incutiu a responsabilidade na protecção e promoção deste nobre produto da floresta mediterrânica.
A cortiça e o sobreiro já inspiraram livros, poemas, canções, moda, design e joalharia. Fazem parte da cultura portuguesa. Um sinónimo agora encerrado num selo de prestígio. Um selo de cortiça, a pele do sobreiro.
Cortiça. Dom da natureza. Património nacional. Embaixadora de Portugal.
A cortiça é a casca do sobreiro, um produto natural renovável, reciclável e bio degradável. A Quercus suber L., que a mãe natureza plantou essencialmente a sul de Portugal, dá corpo à identidade da paisagem alentejana. Lar de uma infindável variedade de espécies animais e vegetais, o montado de sobro, na sua multifuncionalidade, evita a desertificação do sul do país – região seca e de terrenos delgados – ao reduzir a erosão dos solos e ao contribuir de forma impar para a economia local. O montado e a cortiça que produz é, também, capaz de fixar o dióxido de carbono, o principal responsável pelo aquecimento global do planeta.
Preservado por reis e governantes, desde os primórdios da nação até aos dias de hoje, o sobreiro foi sempre protegido na legislação nacional. É nas cartas de D. Dinis, no século XIII, que surgem as primeiras referências ao sobreiro e à cortiça. Sendo a partir do século XIX que se inicia a exploração no montado como a conhecemos actualmente.
De aspecto rude, mas muito agradável ao tacto, a cortiça possui características únicas: leve, impermeável a líquidos e a gases, compressível, elástica, um excelente isolante térmico, acústico e vibrático, e resistente ao atrito. Capaz de servir para os mais variados fins, desde a construção à industria automóvel e aeronáutica, é na rolha de cortiça que encontra o seu produto mais conhecido.
Sem referirmos as ânforas de romanos e fenícios, que porventura teriam utilizado a cortiça como vedante, foi em França, com D. Pérignon, que começou por ser usada, de forma sistemática, para guardar o tão apreciado néctar. Mas foi em Portugal que encontrou a perícia e a sabedoria para a sua extracção e transformação. Por razões históricas ligadas à proximidade da produção do vinho do Porto, a indústria fixou-se, essencialmente, no Norte, mais especificamente no Distrito de Aveiro, região que, até aos nossos dias, é o centro mundial da transformação e comércio da cortiça.
Embaixadora de Portugal, a cortiça leva o nome do país aos cinco continentes e até ao espaço. Portugal é hoje o líder mundial na produção, transformação e exportação da cortiça. Liderança que colocou Portugal na vanguarda do conhecimento e investigação em cortiça e, ao mesmo tempo, lhe incutiu a responsabilidade na protecção e promoção deste nobre produto da floresta mediterrânica.
A cortiça e o sobreiro já inspiraram livros, poemas, canções, moda, design e joalharia. Fazem parte da cultura portuguesa. Um sinónimo agora encerrado num selo de prestígio. Um selo de cortiça, a pele do sobreiro.
Lisboa, 26 de Setembro de 2007
Jaime Gama
Presidente da Assembleia da República






