Se, depois de eu morrer…

2007 Outubro 24

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.

Alberto Caeiro

3 Respostas leave one →
  1. 2007 Novembro 5

    Este poema não está correcto.

    Ver mais em:

  2. 2007 Novembro 5

    Nunoh
    Obrigado pelo comentário, mas se tem algo a dizer diga-o aqui, não venha para cá semear links, porque só cá permanecerão os que eu quiser.
    E a incorrecção está em…

  3. 2007 Novembro 16

    Afinal não era verdade, foi só uma forma de tentar uma sementeira.

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